quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ANTES SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO

Ninguém vive feliz sem a Solidão Necessária:: Luís Vasconcellos ::
Quando cada um de nós nasce se vê logo apartado do útero materno, cortam-nos o cordão umbilical e assim fica configurado que se inicia O CICLO DE VIDA DE UM SER AUTÔNOMO e que sobreviveremos como ser individual, ainda que para isso dependamos enormemente da ajuda de companheiros da mesma espécie e de uma incessante TROCA e INTERAÇÃO com o meio AMBIENTE através da respiração, alimentação, sexo, vida familiar e social etc... Estas duas facetas da existência (AUTONOMIA e INTERDEPENDÊNCIA) convivem uma com a outra e são essenciais a quem queira usufruir um viver pleno. No entanto, desde muito cedo associamos o PRAZER a ESTAR JUNTO e a DOR a ESTAR SÓ. Quanto a isso existe uma unanimidade quase inquestionável. Somos ensinados a isso e nos convencemos de que estar bem com o social (família, escola, civilização de massa), é fundamental e que há algo de errado e verdadeiramente pecaminoso em alguém se isolar ou estar separado dos outros. Associamos doença e morte à solidão com a mesma facilidade com que associamos vida e prazer à experiência comunitária. Com o tempo a consciência do fato de sermos seres autônomos e individuais cai no esquecimento mórbido das coisas reprimidas e negadas. Ninguém gosta de pensar ou de lembrar que é indivíduo (e que, portanto, a solidão é inerente ao seu estado de ser). Quase ninguém se sente confortável quando é obrigado a tomar uma decisão individual (quando não adianta ouvir os CONSELHEIROS DE PLANTÃO e só pessoalmente se pode encontrar uma resposta), e ainda sobretudo quando todas as tentativas de recorrer ao convencional (ou àquilo que é CONSIDERADO como o MELHOR A FAZER) não nos responde à questão: “o que quero/devo/prefiro/escolho /pretendo/desejo... fazer ???????” Todos sabemos o quanto é mais fácil sucumbir a uma pressão externa do que procurar descobrir qual é a nossa real inclinação ou, ainda, do quanto é mais fácil ter uma resposta pronta nos lábios do que procurar saber o que o nosso íntimo tem a dizer!!!... Em quase cem por cento das vezes a visão / explicação / valor ou conceito SOCIAL supera / abafa / reprime / humilha nossa insegura procura de uma resposta PESSOAL para o vivido. Devido a isto, muito freqüentemente nos descobrimos fazendo o que IMAGINAMOS que OS OUTROS gostariam que fizéssemos em detrimento daquilo que faríamos (será?!) se tivéssemos a “ousadia” de agir / pensar / falar e seguir o nosso EU individual. Pode ser muito cruel o combate entre os MUITOS (os outros, família, escola, autoridades do mundo) e o ÚNICO (o EU, o indivíduo). Historicamente firmou-se o ditado: “Antes só do que mal acompanhado”. Contudo verifica-se que o aqui denominado CONTRA-DITADO:”Antes mal acompanhado do que só“, com demasiada freqüência acaba prevalecendo. Conclusão: É mais confortável seguir o convencional / o aprendido / o que se pensa / o que se faz / o que se deve!!!... Entretanto, muitos descobrem-se fazendo a pergunta “O que EU estou fazendo aqui com essa pessoa“? (após a saciedade do desejo sexual, por exemplo). Outros dizem que a noite foi um saco, apenas rotina (em meio a toda a variedade possível de uma noite movimentada). Muitos descobrem-se sós em meio à multidão, muitos sentem um enorme abismo que separa o EU inapelavelmente dos outros. Os rebeldes e revoltados se isolam da massa fingindo-se de superiores na sua separatividade renitente. Muitos se revoltam por dizer sempre “sim e/ou não” (às pressões e demandas dos outros) tanto quanto por não saberem dizer “não e/ou sim“... Não se nota, neste sentido, nenhuma diferença qualitativa entre os contingentes de conformados e o dos revoltados, pois de um modo ou do outro, ambos os grupos, em seu desequilíbrio, perderam a liberdade e o poder de escolha verdadeiramente individual.Muitos se rebelam contra a permanente companhia do OUTRO, para depois se ressentirem de sua falta após a separação. Outros dizem: “ruim com o OUTRO, pior sem ele” e se submetem a condições insuportáveis no relacionamento.Os acomodados e conformados esperam (e anseiam), que “alguém“ lhes ofereça soluções e respostas para tudo...Muitos se misturam aos muuuuuitos para não sentir tanto a presença do EU! Este é um terreno fértil para todo tipo de ilusão e desequilíbrio.Há muitos meandros e subterfúgios para se fugir da “SOLIDÃO NECESSÁRIA”.Em nossa cultura de massas a ação mais individualizada aparece, por exemplo, nos egocêntricos renitentes (o contingente das pessoas que são “do contra” em uma cultura de massas), quase sempre de uma forma desequilibrada e deselegante. Ou então, esta ação individualizada é considerada uma prerrogativa de artistas / filósofos / idealistas / sonhadores / visionários / líderes carismáticos ou, é claro, não se pode esquecer dos roqueiros (risos!).Nota-se, portanto, que apenas uma pequena parcela da sociedade se INDIVIDUALIZA (e são idolatrados!) enquanto o restante (a grande massa), se alimenta dos produtos e realizações destes poucos, invejando abertamente as suas façanhas e esquisitices. Sentimentos e disposições contraditórias se oferecem neste terreno.Continuando...Há uma SOLIDÃO NECESSÁRIA e não somos mais felizes por reprimi-la, por não gostar dela ou, ainda, por torna-la indesejável e desagradável... Há uma SOLIDÃO NECESSÁRIA quando o OUTRO nos chama a uma cumplicidade negativa com ele e somos obrigados a enfrenta-lo dizendo a verdade ou apontando um outro ponto de vista. Vice-versa, quando não aceitamos a SOLIDÃO NECESSÁRIA acabamos cúmplices dos outros com muita facilidade, sendo demasiadamente flexíveis e/ou não nos fazendo moralmente claros e nem verdadeiros (geralmente pelo medo da rejeição).Naturalmente, em assim sendo, o OUTRO não encontra em nós um oponente valoroso, e sim, um cúmplice benevolente demais, complacente demais e sem limites definidos. (Esclarecimento necessário: oponente valoroso: é aquele que não foge do confronto (quando é o caso) e se opõe a nós quando estamos desequilibrados e, portanto, errados. É aquele que nos mostra o outro lado daquilo que desejamos ver; ou ainda, aquele que nos aponta os furos e as sombras de nossa posição costumeira)...Estar junto é uma coisa boa, mas estar em cumplicidade é criar vínculos negativos que roubam nossa liberdade de ser e nos fazem escravos da necessidade de afeto, que por si mesma nos faz dependentes e submissos ao OUTRO. Alguém que vive a SOLIDÃO NECESSÁRIA aceita pagar o preço e o risco de se descobrir em má companhia (quando defendendo aquilo que, para si próprio, faz sentido ser, dizer ou fazer!) e pode se ver diante da necessidade de decidir pela separação / afastamento (já que, nesta hora, ele descobre que SOZINHO já estava há muito tempo... sem um oponente valoroso). Muitas vezes, fugimos de ter que tomar decisões porque a falta de aceitação da SOLIDÃO NECESSÁRIA nos faz frágeis e dependentes.Muitas vezes, em meu consultório, acompanhei a evolução de casais até o momento de se poderem enxergar verdadeiramente e daí em diante é imprevisível o que eles possam decidir a respeito da continuidade da relação.Se assumirem o risco de se individualizarem ( o UM perante o OUTRO) poderão descobrir que era exatamente isto que faltava para a relação ser mais plena, feliz e realizadora para ambas as partes. No entanto, quando a separação se impõe, um e outro acabam por descobrir que se frustraram na expectativa de que sua solidão pessoal desaparecesse. Nestes casos, ao invés de se separarem, bastaria unicamente aceitar este fato: a existência da SOLIDÃO NECESSÁRIA. Há um risco, mas é o único modo de se saber se a relação pode ou não dar certo. Ao invés de uma mera adaptação, conveniente a ambas as partes, pode-se viver uma relação vitalizada e cheia de aventura, porém sem um resultado previsível no horizonte. Numa relação, alguém pode descobrir que apesar de sempre ter tido companhia, sempre esteve só e isso é ainda mais notório se algum fator inesperado quebra a rotina e expõe os envolvidos à urgência de exercer uma opção individual, antes muito adiada... Toda vez que um indivíduo toma uma posição em função de um desafio, dúvida ou paradoxo e faz uma escolha/toma uma decisão de uma direção a seguir, ele exerce a SOLIDÃO NECESSÁRIA (Claro, desde que sua opção não se tenha baseado unicamente nos padrões sociais convencionalmente impostos...). Pode haver muito prazer (elevando a auto-estima) no fato de aceitarmos a SOLIDÃO NECESSÁRIA.Há um estado solitário que se mostra na ausência de companhia, na ausência de um companheiro e este isolamento é composto de carência e medo. A SOLIDÃO NECESSÁRIA não se abastece da carência e do medo: ela é o preço a ser pago pela individualidade e pelo exercício do direito de escolha e de decisão responsáveis.Depois de sermos “jogados no mundo” sem escolha e sem opção, podemos livremente assumir este fato e tocar a vida adiante, com muito mais consistência, estratégia e determinação individuais. Temos que abandonar a posição trágica e passiva do sofredor/vítima do destino e exercer nosso arbítrio em nossas vidas. Alguém já disse:“Não se pode MORRER MAIS OU MENOS então, por que aceitamos que se possa VIVER MAIS OU MENOS?“ Será que ocorre a alguém que ele possa ser feliz e sentir-se completo sem se individualizar?Usando uma metáfora posso dizer que o Universo (o Todo-Poderoso) pode nos ter dado o oceano, as correntes marítimas, as marés e os ventos, mas cabe a nós tomar o “leme” de nossos humanos recursos (barco) de sobrevivência e de produção, para nos orientarmos de modo autônomo na tomada responsável de decisões individuais. Talvez caiba aqui lembrar que ENVELHECER é obrigatório, mas AMADURECER é opcional.
Luís Vasconcellos é Psicólogo e atende em seu consultório em São Paulo.Email: luisvasconcellos@hotmail.com

crescimento psicológico,,,,

RELACIONAMENTO com o OUTRO como OPORTUNIDADE de crescimento psicológico.:: Luís Vasconcellos ::
Podemos tomar o RELACIONAMENTO como um dos âmbitos em que o indivíduo moderno pode desenvolver CONSCIÊNCIA de si mesmo, relativIzando sua personalidade, suas idiossincrasias, suas peculiaridades funcionais; aprendendo a todo momento com a natureza sempre criativa e inventiva do mundo, das situações, do OUTRO vivido como NÃO-EU (ações do Inconsciente: ARQUÉTIPOS, dentre eles a Sombra, impulsos, instintos não reconhecidos ou aceitos no âmbito do Ego).A base da Terapia de Polaridades é o retorno gradual a uma situação de abertura para o novo, para o diferente, para O OUTRO que também vive dentro de nós e que se encontra tanto REPRESENTADO no mundo objetivo, pelas inúmeras formas que podem adquirir pessoas, situações e objetos, quanto nos sonhos e manifestações inconscientes de modo geral. Ainda mais quando consideramos que, com freqüência, estas constituem manifestações de Polaridades Opostas àquelas com que NOS IDENTIFICAMOS (contra as quais, via de regra nos antagonizamos, especialmente quando nos negamos a aceitar a existência de uma SOMBRA PESSOAL). qualquer um de nós pode aprender mecanismos para lidar com tais conflitos em seu âmbito de relacionamento, pois assim os resultados são mais facilmente atingíveis do que se tentarmos lidar com dimensões maiores de nossa existência (sociedade ampla, Estados, Sistemas de crenças coletivizados). Não há um campo de visão, de concepção ou de valor que não possa ser modificado e não há adaptação que não se possa fazer. Todos temos a flexibilidade necessária para introduzir em nossas visões, e concepções de nós mesmos ou dos outros, as modificações que se façam necessárias Pode ter ocorrido o fato de termos perdido esta flexibilidade e adaptabilidade através dos anos de nosso "amadurecimento", dos anos e anos em que nos reduzimos e nos enrijecemos, estreitando nosso universo existencial, a um só tempo, para nos adaptarmos a uma "realidade" já previamente compartimentada (como é a humana ) e, por outro lado, para negociar com esta "realidade socialmente estabelecida" uma adaptação (ou rendição) aos seus termos. Neste combate e confronto de forças, quase sempre vence o ponto-de-vista convencional, a visão coletiva. Com o tempo nos tornamos "seres robóticos", estandardizados, previsíveis, conformados, repetitivos, cansamo-nos de nós mesmos e também submetemos os outros às nossas próprias e assumidas limitações e dificuldades de adaptação a situações novas. Nossa vida perde o senso de aventura, perde o viço, perde o elã de ser o que é: viva, vital, movimentada, um contínuo aprendizado, um desenvolvimento e um crescimento. Na prática, robôs só aprendem e dominam áreas especializadas (e sempre as mesmas), não têm criatividade, espontaneidade, não têm soltura ou elasticidade perante situações novas e se limitam a cumprir uma programação aborrecida, repetitiva e mecânica. Em algumas fases da vida muitos pessoas vivem, por assim dizer, "no automático" Julgamos, a partir de nossas predisposições pessoais, que amamos e odiamos, que acreditamos e desacreditamos, "sabemos" e "desconhecemos"... Acreditamos que existe um Mal absoluto e um Bem igualmente absoluto, que existe de NOSSO LADO a Verdade e do OUTRO LADO a Mentira e, assim, podemos dormir tranqüilos pois tudo está em ordem (o caos está projetado e parece só existir na figura dos OUTROS...). Alguns de nós lamentam, de modo ao mesmo tempo irônico e trágico, por não ter conseguido obrigar o Universo a submeter-se aos modos peculiares que GRUPOS ESPECÍFICOS DE SERES HUMANOS criam para organizá-lo em concepções e crenças "locais" (ou mesmo Deus, que teria então cometido inúmeros erros na Criação). Este tipo de "esforço comunitário" consome boa parte da vida útil de todos os envolvidos, contudo isso não impede que, neste exato momento, inteiras coletividades se dediquem a rituais, hábitos e sistemas de vida que são, AOS OLHOS das concepções que nutrimos sobre ela, de todo inconcebíveis e inaceitáveis. Estamos, hoje em dia, mais para uma briga e confronto entre os pequenos deuses em que nos tornamos e a "Divina Providência". Esta é possivelmente uma das maiores razões para o sofrimento humano de qualquer tipo, para as neuroses, para a desarmonia, para as brigas e guerras entre pessoas, Estados e sistemas. A Terapia de Polaridades é uma forma de atacar de frente o problema de nos tornarmos mais completos, mais flexíveis, mais abertos ao novo, ao OUTRO, que é diferente de NÓS, ao DESCONHECIDO e à vida de modo geral. Este propósito é atingido a partir de uma maior integração do campo consciente ( ego - vigília ) com a dinâmica inconsciente. O exercício deste vínculo constitui a CONSCIÊNCIA propriamente dita. Esta dinâmica tem mais de um sentido ou direção: é multifacetada, congregando símbolos e significados complexos. Nossa CONSCIÊNCIA se desenvolve a partir do aumento da capacidade de interpretação e de vivência de seus significados, aproximando estes dois reinos e criando a possibilidade de uma integração. Um dos objetivos do presente esforço é o de criar oportunidades de percepção e de compreensão da ação dos PARES DE OPOSTOS , assim como das POLARIDADES PSÍQUICAS, dando aos visitantes do vidanova os elementos necessários à compreensão / explicação da ação dos Arquétipos (e suas manifestações práticas) tanto no âmbito introvertido das relações com o próprio Inconsciente, quanto no âmbito extrovertido das relações interpessoais mais significativas. Veremos que nossa existência prática é basicamente o resultado da complexa ação de um MECANISMO DE TROCAS com o OUTRO (o Inconsciente, o Mundo exterior) e que esta dinâmica resulta em conseqüências observáveis e compreensíveis em todo e qualquer âmbito de nossas vidas.
Luís Vasconcellos é Psicólogo e atende em seu consultório em São Paulo.Email: luisvasconcellos@hotmail.com

amar o outro implica em abandonar o eu??

:: Luís Vasconcellos ::
Há muitas armadilhas ocultas no envolvimento entre duas pessoas e a pior delas é a PERDA DA IDENTIDADE PESSOAL, ou seja, a entrega, não à realização da experiência do Amor, mas ao OUTRO. Alguém desconhece (ou duvida), da sedução implícita no desejo de ENTREGAR-SE PERDIDAMENTE?Pode parecer ainda mais sedutor narcotizar-se mutuamente, através de contratos de cumplicidade, rotinas de conveniências e comunhão de interesses mútuos que, no conjunto, só servem para ocultar o SENTIDO e o VALOR de uma VIDA COMPLETA, COMUNGADA COM O COMPANHEIRO DE JORNADA. Muitos vivem o mito de que é preciso reprimir tudo que for individual para haver harmonia e felicidade familiar e conjugal, posto que estas dependem de renúncia ao EU e de submissão aos OUTROS (esta característica era mais comum entre as mulheres, mas também aparece nos homens, pois não tem nada a ver com o gênero e, sim, com a ação das Polaridades Psíquicas). Por que isto acontece? Ora, a pessoa que se sente “insegura”, “dividida” e “incompleta” (homem ou mulher), aceita pagar qualquer preço para não se sentir rejeitada nem separada do OUTRO. Qualquer pensamento ou sentimento separativo é reprimido e censurado em prol de atitudes e sentimentos que pareçam “garantir” ou “assegurar” a continuidade da relação. Deste modo, os pensamentos e sentimentos espontaneamente pessoais são evitados como ameaçadores e perigosos para a continuidade da relação. Acredita-se estar omitindo a verdade (aos olhos do OUTRO), dissimula-se, esconde-se tudo que for considerado perigoso ou censurável...Na necessidade de sentir-se acompanhado, qualquer um que se sinta incompleto pode chegar até aos extremos de uma ENTREGA INCONDICIONAL, mas os caminhos da “devoção ao OUTRO” e da perda do EU psicológico já estão esgotados. Esta via serviu mais ao Estado do que aos indivíduos envolvidos; serviu mais às necessidades sociais (incluindo as das Instituições estabelecidas: família, igreja etc.), do que ao crescimento psicológico dos indivíduos envolvidos no processo. As metas do desenvolvimento psicológico são:- Nos tornarmos completos (realizando os opostos).- O acordar da CONSCIÊNCIA individual. Todos sabemos da insuficiência e da inutilidade de se fazer exortações morais em prol da permanência (por obrigação), no casamento ou na relação, pois já se esgotou o sentido da “obrigação” e o do “dever”. Atualmente é a dinâmica psicológica entre os opostos que pode garantir ou dar bases à entrega e à permanência, de cada um, em um casamento. Se ela acontecer, que se veja justificada pela busca de se viver em amor e em cooperação autênticas, sem forçar as aparências e sem esconder as “realidades sombrias” que, de fato, assaltam cada convívio conjugal. Para o crescimento psicológico acontecer, em uma vida a dois, o amor e a liberdade precisam conviver, enfrentando-se o risco de não dar certo para que se possa - também - correr o risco de que dê certo.A busca da liberdade, do prazer e da responsabilidade pessoal pode - e deve - ser permeada por um sentido de finalidade, de desenvolvimento e de expansão da CONSCIÊNCIA individual. Nesta expansão, descobre-se o OUTRO como alguém que também está exposto aos desafios da vida e que tem seus pontos fortes, assim como os seus defeitos e notórias dificuldades. Contudo, seu mérito não está em ele ser perfeito, mas em TAMBÉM estar em uma luta para crescer, amadurecer e aprender...Um relacionamento REAL se dá no mundo do “NÓS” que, naturalmente, é o resultado da interação de “UM” com o “OUTRO”. Porém quantos se esquecem que se houver uma obliteração (negação) do EU (ou de tudo que é pessoal), o resultado desta dinâmica pode ser uma falência total! Quantos deixam de viver a própria vida para viver a vida “DO OUTRO” ou “PARA O OUTRO”? Quantos entendem a vida de relacionamento como uma RENÚNCIA a tudo que for pessoal ou individual? No sentido oposto, temos que lembrar que A IGUAIS RESULTADOS DESENCORAJADORES chegam:- Aqueles que se satisfazem com a crescente submissão do “OUTRO” ao seu próprio poder pessoal. - Aqueles que gostem de dominar. Ou, ainda.....- Aqueles que gostem de ganhar qualquer discussão ou disputa, transformando qualquer troca em um combate de “pontos de vista particulares”. Quantos casais se desgastam em “conversas de surdos” nas quais ninguém ouve ninguém!Quantos homens e mulheres vivem sob a regra de que "se alguém tiver de dar o braço a torcer, que seja (sempre!) o OUTRO”!Trabalhando há mais de vinte anos com a terapia de casais eu posso afirmar que, em uma briga, não existem um ganhador e um perdedor; mas sim, dois perdedores desperdiçando oportunidades de evolução e de aprendizado...Voltando a comentar o que ocorre na atitude mais “conformista” (antes tão comum nas mulheres): Quando acreditamos que é HARMONIA o exagero contraproducente de “fugir do confronto e concordar com o OUTRO em tudo”, estamos em verdade acendendo o pavio de uma bomba que, na certa, disparará em futuro próximo ou remoto.Do mesmo modo, se acende o estopim para aqueles que acreditam que VIVER EM HARMONIA é obrigar o OUTRO a uma concordância incondicional!Quanto mais cedo esta "bomba" explodir, melhor será para todos os envolvidos... Quando contamos com a união de forma muito temerária (exagero da dependência), acabamos atraindo aquilo de que mais tentamos fugir: a separação e o desrespeito por parte do OUTRO. Vice-versa, quando jamais admitimos mostrar "fragilidade" (exagero da independência), não temos "olhos" para valorizar o OUTRO naquilo que é mérito dele; e nada fazendo para sustentar as bases de uma cooperação entre os opostos (união), chegamos a um resultado igualmente frustrante.Achamos bonito e romântico aquele casal que, quando um morre, o outro o acompanha em poucos meses já que: “A vida pessoal não faz qualquer sentido na ausência do companheiro”!!!Estes dois podem ter vivido um grande amor, mas também podem ter vivido uma engolidora dimensão do "NÓS", que eclipsava a existência real dos "EUS". Quantos foram juntos até o fim odiando-se mutuamente...Que enorme poder isto movimenta!Contudo, a realidade psicológica mudou e hoje a exigência é a de que qualquer um de nós desenvolva consciência das possíveis oposições internas básicas:- Consciente & Inconsciente- Persona (personagem para os outros) & Sombra (aspectos humanos que possuímos, mas que são negados na personalidade)- Polaridades Masculina & Feminina (e...... todas as outras polarizações possíveis)- O que EU acho que sou e o modo como o OUTRO me vê. - A Imagem “polida e filtrada” que eu projeto para os OUTROS e a pessoa que eu realmente SOU. A exigência psicológica atual é a de que se abandone a cômoda facilidade de culpar o OUTRO por ele ser obstáculo, limite, barreira ou adversário para o crescimento individual. É sempre mais confortável para o EU culpar o OUTRO por sua infelicidade, falta de realização pessoal ou frustração. É sempre mais difícil notar que tudo aquilo que usamos para culpar o OUTRO não passa de uma mera PROJEÇÃO PESSOAL (e INCONSCIENTE) sobre o parceiro da relação. Hoje, o homem e a mulher amadurecida sabem que não existe harmonia que não surja de algum conflito, bem como não se encontram as soluções através do expediente de fugir dos problemas e dos conflitos. Nos casais mais maduros a crise não é evitada a todo custo, mas simplesmente “afastada” por uma eficiente e atenta negociação (permanente), que abarca todos os aspectos possíveis da convivência.Não se pode ser autêntico (em nenhum relacionamento humano), desconsiderando a existência real do OUTRO ou fazendo-se ausente da experiência real do EU.
Luís Vasconcellos é Psicólogo e atende em seu consultório em São Paulo.Email: luisvasconcellos@hotmail.com

amar o outro implica em abandonar o eu??

:: Luís Vasconcellos ::
Há muitas armadilhas ocultas no envolvimento entre duas pessoas e a pior delas é a PERDA DA IDENTIDADE PESSOAL, ou seja, a entrega, não à realização da experiência do Amor, mas ao OUTRO. Alguém desconhece (ou duvida), da sedução implícita no desejo de ENTREGAR-SE PERDIDAMENTE?Pode parecer ainda mais sedutor narcotizar-se mutuamente, através de contratos de cumplicidade, rotinas de conveniências e comunhão de interesses mútuos que, no conjunto, só servem para ocultar o SENTIDO e o VALOR de uma VIDA COMPLETA, COMUNGADA COM O COMPANHEIRO DE JORNADA. Muitos vivem o mito de que é preciso reprimir tudo que for individual para haver harmonia e felicidade familiar e conjugal, posto que estas dependem de renúncia ao EU e de submissão aos OUTROS (esta característica era mais comum entre as mulheres, mas também aparece nos homens, pois não tem nada a ver com o gênero e, sim, com a ação das Polaridades Psíquicas). Por que isto acontece? Ora, a pessoa que se sente “insegura”, “dividida” e “incompleta” (homem ou mulher), aceita pagar qualquer preço para não se sentir rejeitada nem separada do OUTRO. Qualquer pensamento ou sentimento separativo é reprimido e censurado em prol de atitudes e sentimentos que pareçam “garantir” ou “assegurar” a continuidade da relação. Deste modo, os pensamentos e sentimentos espontaneamente pessoais são evitados como ameaçadores e perigosos para a continuidade da relação. Acredita-se estar omitindo a verdade (aos olhos do OUTRO), dissimula-se, esconde-se tudo que for considerado perigoso ou censurável...Na necessidade de sentir-se acompanhado, qualquer um que se sinta incompleto pode chegar até aos extremos de uma ENTREGA INCONDICIONAL, mas os caminhos da “devoção ao OUTRO” e da perda do EU psicológico já estão esgotados. Esta via serviu mais ao Estado do que aos indivíduos envolvidos; serviu mais às necessidades sociais (incluindo as das Instituições estabelecidas: família, igreja etc.), do que ao crescimento psicológico dos indivíduos envolvidos no processo. As metas do desenvolvimento psicológico são:- Nos tornarmos completos (realizando os opostos).- O acordar da CONSCIÊNCIA individual. Todos sabemos da insuficiência e da inutilidade de se fazer exortações morais em prol da permanência (por obrigação), no casamento ou na relação, pois já se esgotou o sentido da “obrigação” e o do “dever”. Atualmente é a dinâmica psicológica entre os opostos que pode garantir ou dar bases à entrega e à permanência, de cada um, em um casamento. Se ela acontecer, que se veja justificada pela busca de se viver em amor e em cooperação autênticas, sem forçar as aparências e sem esconder as “realidades sombrias” que, de fato, assaltam cada convívio conjugal. Para o crescimento psicológico acontecer, em uma vida a dois, o amor e a liberdade precisam conviver, enfrentando-se o risco de não dar certo para que se possa - também - correr o risco de que dê certo.A busca da liberdade, do prazer e da responsabilidade pessoal pode - e deve - ser permeada por um sentido de finalidade, de desenvolvimento e de expansão da CONSCIÊNCIA individual. Nesta expansão, descobre-se o OUTRO como alguém que também está exposto aos desafios da vida e que tem seus pontos fortes, assim como os seus defeitos e notórias dificuldades. Contudo, seu mérito não está em ele ser perfeito, mas em TAMBÉM estar em uma luta para crescer, amadurecer e aprender...Um relacionamento REAL se dá no mundo do “NÓS” que, naturalmente, é o resultado da interação de “UM” com o “OUTRO”. Porém quantos se esquecem que se houver uma obliteração (negação) do EU (ou de tudo que é pessoal), o resultado desta dinâmica pode ser uma falência total! Quantos deixam de viver a própria vida para viver a vida “DO OUTRO” ou “PARA O OUTRO”? Quantos entendem a vida de relacionamento como uma RENÚNCIA a tudo que for pessoal ou individual? No sentido oposto, temos que lembrar que A IGUAIS RESULTADOS DESENCORAJADORES chegam:- Aqueles que se satisfazem com a crescente submissão do “OUTRO” ao seu próprio poder pessoal. - Aqueles que gostem de dominar. Ou, ainda.....- Aqueles que gostem de ganhar qualquer discussão ou disputa, transformando qualquer troca em um combate de “pontos de vista particulares”. Quantos casais se desgastam em “conversas de surdos” nas quais ninguém ouve ninguém!Quantos homens e mulheres vivem sob a regra de que "se alguém tiver de dar o braço a torcer, que seja (sempre!) o OUTRO”!Trabalhando há mais de vinte anos com a terapia de casais eu posso afirmar que, em uma briga, não existem um ganhador e um perdedor; mas sim, dois perdedores desperdiçando oportunidades de evolução e de aprendizado...Voltando a comentar o que ocorre na atitude mais “conformista” (antes tão comum nas mulheres): Quando acreditamos que é HARMONIA o exagero contraproducente de “fugir do confronto e concordar com o OUTRO em tudo”, estamos em verdade acendendo o pavio de uma bomba que, na certa, disparará em futuro próximo ou remoto.Do mesmo modo, se acende o estopim para aqueles que acreditam que VIVER EM HARMONIA é obrigar o OUTRO a uma concordância incondicional!Quanto mais cedo esta "bomba" explodir, melhor será para todos os envolvidos... Quando contamos com a união de forma muito temerária (exagero da dependência), acabamos atraindo aquilo de que mais tentamos fugir: a separação e o desrespeito por parte do OUTRO. Vice-versa, quando jamais admitimos mostrar "fragilidade" (exagero da independência), não temos "olhos" para valorizar o OUTRO naquilo que é mérito dele; e nada fazendo para sustentar as bases de uma cooperação entre os opostos (união), chegamos a um resultado igualmente frustrante.Achamos bonito e romântico aquele casal que, quando um morre, o outro o acompanha em poucos meses já que: “A vida pessoal não faz qualquer sentido na ausência do companheiro”!!!Estes dois podem ter vivido um grande amor, mas também podem ter vivido uma engolidora dimensão do "NÓS", que eclipsava a existência real dos "EUS". Quantos foram juntos até o fim odiando-se mutuamente...Que enorme poder isto movimenta!Contudo, a realidade psicológica mudou e hoje a exigência é a de que qualquer um de nós desenvolva consciência das possíveis oposições internas básicas:- Consciente & Inconsciente- Persona (personagem para os outros) & Sombra (aspectos humanos que possuímos, mas que são negados na personalidade)- Polaridades Masculina & Feminina (e...... todas as outras polarizações possíveis)- O que EU acho que sou e o modo como o OUTRO me vê. - A Imagem “polida e filtrada” que eu projeto para os OUTROS e a pessoa que eu realmente SOU. A exigência psicológica atual é a de que se abandone a cômoda facilidade de culpar o OUTRO por ele ser obstáculo, limite, barreira ou adversário para o crescimento individual. É sempre mais confortável para o EU culpar o OUTRO por sua infelicidade, falta de realização pessoal ou frustração. É sempre mais difícil notar que tudo aquilo que usamos para culpar o OUTRO não passa de uma mera PROJEÇÃO PESSOAL (e INCONSCIENTE) sobre o parceiro da relação. Hoje, o homem e a mulher amadurecida sabem que não existe harmonia que não surja de algum conflito, bem como não se encontram as soluções através do expediente de fugir dos problemas e dos conflitos. Nos casais mais maduros a crise não é evitada a todo custo, mas simplesmente “afastada” por uma eficiente e atenta negociação (permanente), que abarca todos os aspectos possíveis da convivência.Não se pode ser autêntico (em nenhum relacionamento humano), desconsiderando a existência real do OUTRO ou fazendo-se ausente da experiência real do EU.
Luís Vasconcellos é Psicólogo e atende em seu consultório em São Paulo.Email: luisvasconcellos@hotmail.com

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O AMOR RESISTE A TUDO
Onde quer que o amor esteja lá está à felicidade.Até mesmo na dor cruel da desilusãoMesmo assim, busco nele a minha verdade.Ouso amar mesmo que o meu coraçãoResista em se dar por causa da ansiedade.Rompante sentimento que se aloja no peito,Eterna batalha entre a razão e o coração,Sem pedir licença, invade meu leito,Incitando-me em sonhos os desejos de amar.Sinto-me viver, nos meus anseios delirar,Tento fugir, mas me nego à razão,E sou feliz, pois quem vence é a paixão.Ante a verdade do amor, está a angústia da dor.Tenho sim tentado resistir ao sofrimento,Uma odisséia prosaica sem nenhum valor,De tudo que angariei em todo o meu tempo,O mais importante sentimento foi o AMOR.


http://www.recantodasletras.net/acrosticos/365010

Angelo Poeta
Publicado no Recanto das Letras em 31/01/2007Código do texto: T365010
Poesias-->O Amor Resiste -- 04/10/2007 - 19:56 (Fá Machado)
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=133018&cat=Poesias&vinda=S
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Este autor concorda com o uso dos seus textos, desde que informem a autoria e o local da divulgação.








A paixão pode perecer
O ciúme acontecer
E a dor aparecer
Mas o amor resiste
Quando a confiança existe
A possessividade pode estragar
A mágoa desgastar
E o coração despedaçar
Mas o amor resiste
Quando a confiança existe

sábado, 6 de dezembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

PARA OS DOIS

Jantar em silêncio, love-audiotour pela cidade, dança de salão às escondidas, pedido de casamento no meio da Av. Paulista… Saiba tudo o que a Maria Claire nunca contou para você!
O que faz um bom presente ou uma boa declaração é uma mistura de personalização (quanto mais único, melhor), poesia (tem de significar algo além de si mesmo) e inserção na vida da pessoa amada (realização de um desejo antigo, por exemplo). Além disso, se a declaração levar algum tempo e fizer com que você se transforme no processo, aí sim o outro transbordará de felicidade.
Listo abaixo algumas sugestões que contemplam um ou mais desses quatro itens: personalização, poesia, inserção e transformação. Algumas já fiz, outras ainda não. As sugestões se adequam a homens e mulheres. Para facilitar, porém, direcionei minha linguagem ao público masculino.
Deixem suas sugestões nos comentários para enriquecer essa lista!
1. Jantar em silêncio
Conduza-a por um jantar em silêncio repleto de respirações, olhares e toques. Não faça em casa: o ideal é que seja em público, em um restaurante mesmo. Leve um bloco de notas para que vocês se divirtam com bilhetinhos entre si. Ficará ainda mais gostoso se vocês não pronunciarem nenhum som e usarem bilhetinhos até mesmo com o garçom. Não tenham medo do (inevitável) ridículo. E leve a brincadeira a sério, caso contrário a vergonha dela será maior do que a diversão. Ah, você pode ousar até mesmo no simples ato de marcar o encontro…
2. Audiotour pela cidade
Fiquei fascinado com esse projeto da Mostra SESC de Artes de 2007. Um percurso de uma hora no qual as pessoas são guiadas por um MP3 Player e caminham por vários locais da cidade em busca da resolução de um mistério policial. Por que não fazer isso com sua mulher?
Escolha um local, vá até lá para se certificar, volte, abra o Google Maps e use o Audacity para gravar as orientações. Você pode deixar algum presente escondido debaixo do banco de uma igreja, fazer o percurso acabar em um restaurante com você dentro, em um motel ou em uma loja na qual todas as atendentes já estão avisadas: “Olha, eu deixo pago e ela compra o que ela quiser dentro desse valor, pode ser?”.
3. Blog secreto
Use os serviços gratuitos do Wordpress ou do Blogger para criar um blog privado (em ambos, há a opção de não deixá-lo público) e comece a escrever com bastante freqüência sobre sua relação com ela. Relate sensações, percepções e pensamentos que não contou na hora. Descreva em detalhes a noite passada. Escreva para você mesmo, para ela, para o mundo. Alterne discursos com a idéia de que ela acessará o blog depois de algum tempo – é isso que difere essa sugestão de uma outra mais simples que descrevi há algum tempo.
A declaração pode durar um mês ou um ano, você decide. Já imaginou um presente assim de 10 anos? É claro que você corre o risco de levar um pé na bunda antes de revelar o blog… Ainda assim, você terá treinado um amor desprendido de expectativas, que se declara sem sequer precisar que o outro nos ouça.
4. Dança de salão às escondidas
Essa é simples: sem que ela saiba, matricule-se em um curso de dança de salão. Diga que seu chefe inventou reuniões semanais ou simule qualquer situação do tipo. Para acelerar seu aprendizado, escolha apenas um ritmo. Salsa e gafieira são ótimas pedidas. Tango já será mais complicado se sua mulher não tiver experiência alguma. Depois de uns 6 meses, vá com ela a um lugar que toca o que você já sabe e convide-a para dançar.
Atenção: essa sugestão não é recomendada para mulheres! É muito provável que o homem sinta-se constransgido por não conseguir acompanhar e ainda por cima fique nervoso ao saber que sua mulher ficou esse tempo todo dançando com outros. Parece machista, mas é muito mais fácil uma mulher inexperiente ser conduzida por um bom cavalheiro do que um homem iniciante dançar com uma dama treinada.
5. Os dias da semana
Um presente para cada dia da semana. Na segunda, ela desfrutará de um, na terça de outro, e assim por diante. Quinta-feira pode ser um livro de poesia, sexta-feira uma calcinha quase transparente, sábado um sabonete de menta… O presente é menos importante do que a idéia de acompanhá-la em seu cotidiano, expandindo sua presença na vida de sua parceira.
6. Transformação
Pare de fumar, coma menos, faça musculação, abandone a raiva ou o orgulho, medite, aprenda alguma coisa, desaprenda várias outras… Transforme-se para ela, deixe que sua vida se torne um presente a ser lentamente degustado por sua mulher. Porque presente bom não se dá, se oferece.
Para conseguir tais transformações, use toda aquela energia e potência que surgia bem no início da relação, quando você queria sexo e fazia de tudo para levá-la para a cama, lembra? Você passava dias inteiros planejando noites inesquecíveis, se vestia bem, comprava presentes, dirigia por horas seguidas, abria portas, perguntava “Está frio demais aqui dentro?”, e tudo aquilo que um homem presente e atento faz. A potência que deseja sexo é a mesma que deseja amar. E amar é isso: agir a favor da felicidade do outro.
7. Agenda
Compre uma agenda e a preencha inteira, dia após dia, com anotações, declarações, lembranças (”Nesse dia, há dois anos, nós fizemos…”), coisas que você quer fazer com ela em tal dia, conduções (”Ouça agora essa música…”), loucuras, propostas e insights. No início de janeiro, entregue e peça que ela use como uma agenda convencional e também como uma forma de dialogar com seus escritos.
8. Album erótico
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O processo, não o resultado, é a melhor parte dessa declaração. É gostoso pedir as poses, olhar, fotografar, beijar, deixar a câmera cair, editar, imprimir, montar, entregar… Tire fotos de ângulos improváveis, use o Photoshop e faça surgir uma mulher que nem você conhece. A nudez é opcional. Você pode mostrar para ela enquanto edita ou somente ao final. Você pode pedir para que ela faça poses ou pode fazer tudo em absoluto segredo (enquanto ela dorme, por exemplo).
9. Mestre-cuca
Assim como o curso de dança de salão proporciona uma noite de giros e pernadas, um curso de culinária pode promover alguns jantares deliciosos. Escolha o tipo e se matricule: tailandesa, japonesa, árabe, francesa… Tudo em segredo para a grande surpresa, claro.
10. Outra luz na Avenida Paulista
É uma pena que não consegui fazer essa declaração! Preparei tudo, escrevi, planejei… Mas sabe quando a temperatura muda abruptamente? No dia escolhido, a logística não permitiu; no seguinte, já não havia mais espaço. Com declarações, o momento é talvez o mais importante de todos os fatores. Uma mesma ação pode causar prazer ou desconforto, dependendo da temperatura da relação.
A idéia é usar um vasto espaço público significativo para o casal e fazer dele um ambiente imersivo para o amor. Escreva um texto e divida-o em vários cartazes (poucas palavras por cartaz e reticências). Vá ao local no fim da tarde. Leve algum tipo de cola ou fita adesiva. Planeje um percurso e saia colando cartazes em locais protegidos e estratégicos. Marque de encontrá-la em algum lugar perto do início do percurso (após o pôr-do-Sol), invente algum programa que justifique uma caminhada e conduza-a pelos cartazes usando uma lanterna. Peça a ela silêncio e vá lentamente focando cada um dos cartazes. No fim, você pode deixar as últimas palavras por baixo da sua camiseta (e apontar a lanterna para si próprio) ou simplesmente apontar para o céu – depende do texto, dos caminhos do seu amor por ela.
Eu escolheria a Avenida Paulista e deixaria também alguns cartazes perdidos em arbustos ou dentro de alguns locais (prateleiras ou bancos na livraria Cultura, por exemplo). Seria sábado à noite, com muito movimento e vida ao redor. Como perdi minha chance, ofereço a idéia para que outros possam fazê-lo. O que importa não é quem faz, o que importa é a abertura impessoal que brota disso.
Para quem quiser pedir em casamento, há um outro fim para essa declaração. Converse com umas 20 pessoas (estranhos, se tiver coragem e dinheiro, ou amigos) e peça para que elas fiquem no final do percurso com cartazes em mãos, todos com a mesma pergunta: “Quer casar comigo?”. Eles serão a sua voz, uma expansão de seu corpo. Após a caminhada com o texto preparatório, você chega com sua mulher e dá um sinal: todos se agrupam de repente e mostram os cartazes. Serão 20 “Quer casar comigo?” direcionados a ela! Aí basta se ajoelhar, tirar a aliança do bolso

tipos de amores

Agora em agosto, Flávio Gikovate dará um curso com o seguinte título: “Egoístas, generosos e justos: o amor nas relações do cotidiano”. A idéia é criticar o que eu chamaria de relação de conveniência, aquela na qual o obstáculo de um se acopla com o obstáculo do outro, o karma de um complementa o karma do outro. Gikovate explora as relações de conveniência utilizando o exemplo do egoísta e do generoso e oferece uma saída no que ele chama de relação entre pessoas justas:
“O justo é essencialmente maduro e bem constituído em sua individualidade. Pode muito bem ficar sozinho. Se optar por um relacionamento amoroso, não agirá nem com a imaturidade e dependência prática do egoísta — que costumava ser chamado de tipo narcisista, o que sempre aumentou a confusão a respeito do uso deste termo — e nem com a condescendência que deriva da dependência emocional do generoso. Não terá medo da fusão romântica porque o individualismo predomina sobre o amor. Acabará por estabelecer um novo tipo de aliança amorosa, mais parecida com a amizade — menos possessiva e nada dominadora — que tenho chamado de +amor, ou seja, mais do que amor. Trata-se da proposição de um novo tipo de romance adaptável aos novos tempos, igualitários.” (Gikovate, 2003)
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A relação de conveniência é baseada na mediocridade, no pior de cada ser (quando olhamos para nossas relações, é dolorido perceber como isso é verdade!). Ela não proporciona transformação pois para ser sustentada exige uma espécie de acomodação em nossas fixações neuróticas. Uma pessoa carente, por exemplo, se encanta com aquele que, por medo de ser rejeitado, oferece proteção e segurança de um modo impulsivo e irracional. Elas se apaixonam e se “amam” sem saber por quê.
Não vemos o outro em nenhum momento, pois estamos fascinados pela sensação que ele nos provoca. A prisão narcísica é não amar verdadeiramente o outro, mas o próprio “eu” que ele faz surgir. Contardo Calligaris chama isso de “miséria amorosa ordinária”, na qual “amar significa pedir ao outro o que a gente quer. Ou, pior ainda, pedir-lhe aquela ‘coisa’ de que a gente precisa” (Calligaris, 2005).
Muitas pessoas nunca conheceram uma relação que fugisse a esse padrão. Para elas, a relação de conveniência é tudo o que há, a única possível, onipresente em seus pais, amigos e em todo o ambiente interpessoal ao seu redor. Por isso, é nosso dever dar o exemplo e oferecer ao mundo uma relação de transformação na qual cada um dos parceiros diz: “para te amar eu me transformo, para te amar eu nasço novamente, para te amar eu manifesto o melhor de mim; e ao me transformar eu te amo ainda mais, ao nascer de novo vejo ainda mais sua beleza, ao dar o melhor de mim vejo ainda mais o melhor de você”. Eis o círculo virtuoso do amor, paradoxalmente assim explicado: “eu te amo, e ao te amar acabo te amando ainda mais”.
Enquanto a relação de conveniência já está sempre pronta e estamos sempre preparados para ela, a relação de transformação exige uma construção dedicada, uma forma de treinamento mútuo, de elaboração artística. Não é um caminho fácil mas é o que verdadeiramente desejamos até quando perdemos tempo escolhendo relações tolas que não exigem o melhor de nós. Esse caminho de liberdade e exploração, como bem ensina o poeta Antonio Machado, se faz ao caminhar (”Camiñante, no hay camiño, el camiño se hace al camiñar”). Ainda que o tenhamos construído uma vez com uma parceira, a segunda vez não chega nunca a ser uma repetição, ao contrário do que acontece com relações kármicas.
Prosseguindo com a comparação (pois sempre vemos pelo contraste), percebemos que a relação convencional é uma aproximação simples de mundos: “eu gosto de cinema europeu, você também, eu gosto de música árabe, você também”. Não há real penetração, não há compartilhamento, apenas uma interface cômoda e confortante. Uma outra possibilidade, muito mais deliciosa, é não apenas aproximar os mundos, mas cada um dos parceiros penetrar os mundos do outro e simultaneamente entregar seus mundos para que possam ser invadidos pelo outro. Mais ainda: não apenas abrir-se e penetrar, mas criar novos mundos, dar à luz, engravidar-se do outro e de si mesmo.
Um novo mundo criado a dois é uma das bases de uma relação duradoura e autêntica. O curioso é que, para que isso aconteça, é necessário que cada um dos parceiros se estique, se reconfigure, expanda seu corpo em um novo espaço, enfim… se transforme! Esses novos mundos são espaços nos quais nascemos com novas identidades, são espaços nos quais podemos explorar ainda mais nosso amor, nos permitem ser mais, existir mais, nos conectar de outros modos não só com o outro mas com todo o mundo. Esse é um tipo especial de intimidade a dois que nos deixa íntimos de tudo mais, de todos os seres, de cada cena da vida, de cada olhar e até de nós mesmos.
Será que desejamos manter nossos obstáculos como base de nossos relacionamentos? Queremos amar e ser amados com apenas 20% de nosso ser? Buscamos um parceiro para quê mesmo? Permanecemos com ele por quê mesmo? Quais as bases de nossas relações? Estamos realmente dispostos a abandonar nossas relações de conveniência? Dispostos a nos deixar nascer em frente ao outro e fazê-lo nascer diante de nós, aprendendo lentamente a sonhar juntos?

dinamica do amor

No último post (”Amor é coisa que não se recebe“), falei sobre a dinâmica da passividade e sobre como podemos descobrir nossa potência de amar.
Autonomia, no entanto, não significa auto-suficiência ou isolamento. Quando já praticamos esse amor livre, o que acontece quando iniciamos uma nova relação?
Uma mulher é o grande espaço para um homem praticar amor na sua forma mais incorporada, fascinante e desafiadora. Ele pode não precisar de uma mulher para ser feliz, porém a entrega feminina é o convite perfeito para que ele penetre tudo com seu amor e treine sua liberdade de se manter imóvel diante das tempestades e oscilações do feminino. Isto é, ele pode ser mestre em técnicas de apnéia, mergulho, canoagem ou surf, mas como praticar sem rios e oceanos?
Um homem, por sua vez, é também apenas um suporte para a mulher que se descobriu fonte de amor, que ficou inseparável da própria dança da vida. Ainda que ela não precise do amor de seu homem, é quando ela é conduzida com leveza e vigor que sua capacidade de entrega, radiância e amor pode se expressar desimpedidamente. Em outras palavras, ela pode saber movimentar seu corpo de mil maneiras no samba de gafieira, mas é preciso que haja música, espaço e alguém para conduzi-la.
O masculino precisa tocar o feminino para vir à tona e existir com força total. O feminino chama pelo masculino para conseguir saltitar e se desenrolar com toda a energia que a vida pode agüentar.
A autonomia do amor se expressa quando o amor não vai nem vem, nem se dá tampouco se recebe. Primeiro, sentimos o amor vindo de fora, recebemos e nos sentimos amados. Depois, percebemos que podemos agir, sentimos o amor por dentro e o expandimos aos outros. Até que, enfim, caímos sentados sobre a ilusão de nossas paredes e nos abandonamos dentro do amor. Paramos de tentar e deixamos o amor com ele mesmo… Depois dessa desistência, não há mais esforço para amar o outro. Há o amor e sua circulação, muito bem descrita pelo mestre zen Shunryu Suzuki na obra-prima Mente Zen, Mente de Principiante:
“O mundo interior não tem limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos “mundo interior” e “mundo exterior”, mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém. O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa “eu respiro”, o “eu” está a mais. Não há um “você” para dizer “eu”. O que chamamos de “eu” é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo.”
Essa respiração do amor move homens e mulheres de modos distintos. Ainda que, de uma perspectiva absoluta, não haja eu e outro, vida e morte, dentro e fora, nos mundos relativos há uma dinâmica lúdica entre os opostos. A não-dualidade é apenas o pano de fundo para incontáveis dualidades e pares de seres e fenômenos que vão surgir em cada vaivém. Ora, esse movimento é tão poderoso que produz bebês, if you know what I mean…
O livre vaivém atua no homem que é capaz de viver com um amor autônomo instalado no meio do peito. Tudo o que ele quer é uma mulher que silenciosamente se entregue: “Eu sou sua, eu me rendo ao amor que vem de você, me conduza, dance comigo”. Ao oferecer seu melhor, ele faz uma exigência sutil. Sua proposta não aceita nada menos do que a completa liberação de todas as energias, ânimos e curvas que ela tem a oferecer.
Uma mulher cujo brilho é sua forma de amar os outros sem que ela sequer tenha de se aproximar de alguém, tudo o que ela quer é um homem que chegue sem pedir licença: “Eu me livrei do medo e quero ver até onde vai sua beleza. Se você já está dançando, pode soltar o cabelo e começar a girar”. Sua presença também exige. Sem liberdade e vigor, dificilmente um homem conseguirá permanecer ao seu lado.
Quando eles se encontram, a profundidade masculina é o par perfeito para a radiância feminina. A liberdade dele é o espaço para o espiralar do amor dela. Ele fica, presente, imóvel. Ela dança, graciosa, cintilante. Juntos, eles continuam amando de modo autônomo como já faziam com qualquer um, não há diferença. Movem-se a favor dos outros, para que todos se desdobrem, aflorem. Sem que ninguém nunca chegue a receber algo, ambos sentem prazer ao oferecer amor irrestrito. Um para o outro, e ambos para o mundo.
Na relação lúcida, ainda que a mulher anseie por alguém ou um homem deseje um corpo feminino, quem faz as exigências é o amor, não as identidades específicas ou personagens. Ambos estão rendidos não um ao outro, mas ao amor. Se pudéssemos ouvi-los, seria algo assim: “Aquilo que não sou ama, por mim, em você, tudo aquilo que você não é”.
* A imagem é do gênio M.C. Escher, Drawing Hands (1948). Sou fascinado por ela. Se pudesse, usaria para explicar praticamente todas as idéias que passam pela minha mente.

um novo homem

Você é um romântico sem pegada ou um Chuck Norris tentando entender poesia?
Mais do que estereótipos, “machão” e “sensível” são duas posturas extremas diante da energia feminina. Alguns tendem à primeira, outros não sabem como ir além da segunda. Haveria um modo de integrar o melhor dos dois mundos? Será que existe algum homem capaz de conversar sobre o Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, sem deixar de meter porrada em quem mexer com sua mulher?
Os dois comportamentos não são mentais. Chuck Norris ou Zach Braff (mais pelos filmes do que pela série Scrubs) apresentam posições corporais diferentes. O contraste não se encontra tanto no que eles pensam quanto no posicionamento que eles assumem na relação com mulheres, artes, elementos da natureza, formas e brilhos.
Com uma mulher ou com uma música à frente, o machão se distancia, vigia, resmunga. A música toca, ele fica estático e tira sarro. Deseja controle sobre o feminino. Sua lógica é a da posse. Todos os fenômenos são capturados, analisados, conquistados. No oceano do feminino, o homem machão busca dinheiro, carros, poder, fama, mulheres. A meta é conseguir o máximo possível de objetos, na esperança de enfim suprir o vazio de um corpo sem energia vital. Por evitar o contato direto com o feminino (interno e externo), ele age violentamente. É uma questão de sobrevivência: para inflar seu corpo de vida, ele agride, machuca, tira sangue da natureza, da sociedade, de sua mulher…
A lógica do homem sensível é a do ser. Em um universo de movimentos radiantes, ele se deixa envolver, se aproxima, sorri, chora. A música toca, ele vai junto e dança. O sensível busca desenvolvimento intelectual e emocional. Ao oferecer seu feminino, porém, ele corre o risco de ser rejeitado: energia feminina é o que as mulheres já têm. Quando isso acontece, assim que vê nela o que pensava ser dele, ele se sente roubado, fraco, apavorado. À medida que se equipara à luminosidade externa, começam a surgir medos, inseguranças e expectativas. Não existe homem sensível que nunca se sentiu impotente e dominado. Ou pior: ele vem com o feminino, ela incorpora o masculino e o humilha. O processo de identificação com os fenômenos retira seu poder e muitas vezes o deixa refém do que lhe acontece. Não é raro ver homens surtando por questões mínimas…
Como aprender com o machão
O aspecto saudável do machão é o desenvolvimento da presença. O mundo se desespera e colapsa, ele permanece imóvel. Sua mulher grita e esperneia, ele fica. Um exemplo de liberdade também. Por não se identificar com o feminino, é capaz de cortar e desbravar. Por não se distrair, ele passa anos meditando, testando vacinas, produzindo chips, vencendo corridas. Seu arquétipo é o do herói, guerreiro ou samurai, que abandona a cidade natal, segue sua missão e volta trazendo troféus, remédios, conhecimentos. Para o sensível, o machão é o antídoto da indecisão. É encarnando essa postura rígida que ele retomará o poder sobre sua vida.
Como aprender com o sensível
No outro extremo, a qualidade positiva do homem sensível é o cultivo de uma profundidade sem limites. Ele é capaz de se comunicar em qualquer linguagem, se envolver com todas as danças, se emocionar com o amplo espectro das histórias humanas. Sua habilidade é movimentar energias, substâncias, ventos, sons… Manipular tudo o que se move. Seu arquétipo é o do xamã, bruxo ou mago, que se entrega ao universo para poder falar a língua dos animais. Ele sente a dor de todos os seres e por isso pode agir por dentro do mundo, restaurar tecidos, curar. Para o machão, o sensível é o antídoto da violência. Ele ensina que, para evitar o estupro, é preciso ser invadido pelo feminino antes de penetrar uma mulher.
Rumo a uma nova espécie de homem
Em uma abordagem preliminar, poderíamos sugerir que os homens sensíveis treinassem a postura do machão. Não é uma má idéia começar a investir na bolsa, beber pinga, bater o copo na mesa, ficar calado e ser grosso, aprender boxe, PHP, jogar rugby. Já os homens brutos experimentariam a atitude do sensível. Seria engraçado vê-los assistir a filmes iranianos, recitar Rilke, dançar sapateado, freqüentar cursos de culinária tailandesa, vinhos, teatro clown!
Tal processo mimético, no entanto, é apenas um caminho grosseiro de transformação. Uma abordagem mais sofisticada poderia apostar na própria fonte dos problemas. Ou seja, se você é machão, vá até o fim; se é sensível, explore seus limites. A postura desafiadora do machão esmagará todas as metas medíocres até que reste apenas um objetivo transcendental, a missão do herói. O sensível também. Com sua docilidade, se conectará com tudo e com todos, para enfim entender o código da Matrix e virar xamã.
Ninguém pode prever os resultados da união do herói com o xamã. O fato é que sozinhos eles são impotentes diante de uma única mulher. Sem sensibilidade, o direcionamento do machão é cego: ele a leva para jantar em um restaurante que ela já disse odiar mas ele esqueceu. Sem direcionamento, a sensibilidade também não resolve: ele sabe qual o restaurante dos sonhos, mas não tem dinheiro ou coragem para levá-la.
A flexibilidade do sensível facilmente se deixa dominar. A rigidez do machão obstrui a livre manifestação dos encantos femininos. Nenhum dos dois é capaz de conduzir sua dama. Um trava, outro solta demais. Um tira a liberdade, outro não oferece segurança. Com nenhum dos dois ela consegue girar! A condução exige o melhor de ambos: abertura e sensibilidade com vigor e direcionamento, presença imóvel com profundidade nômade.
Praticar a postura que conduz exige o fim da oposição proposta nesse texto. Suspendemos o embate, a integração começa. Retire o “X” da imagem acima… Ali está Mr. George Clooney, junto com mais dois exemplos de homens da nova geração.
A nós homens, só resta continuar aprendendo com o velho Chuck. Você já decorou pelo menos uma das verdades do Chuck Norris? Está na hora de aplicá-las na vida… Quem disse que Chuck Norris não é o primeiro dos machões românticos?
No dia dos namorados, Chuck Norris dá para a sua mulher o coração ainda batendo de um de seus inimigos. Para ser mais romântico, Chuck Norris acredita que todo dia é dia dos namorados.

leitura para homens

Os dois primeiros itens dessa pequena lista não são novidade para ninguém, mas creio que os homens têm muito a refletir sobre os outros dois. Pelo menos para mim, eles são objeto de contemplação diária! O livro não explica diretamente o significado dessas idéias, ainda que elas permeiem toda a narrativa, todas as experiências da autora. Para quem não leu, vou falar um pouco sobre isso em outra linguagem.
Não levar a sério uma mulher não significa desenvolver uma postura insensível, mas uma sensibilidade mais radical, que ouve atentamente mas mantém uma consciência lúcida diante dos turbilhões femininos sem se deixar levar por eles. Um exemplo simples é saber cortar um momento de tensão (em uma conversa pós-sexo, digamos) que poderia levar a uma briga. Saber agarrá-la, beijá-la, rir dela olhando-a nos olhos e convidando-a a gargalhar também. Ao fazer isso, o homem ganha a confiança de sua mulher, que se sente segura ao saber que quando ela se perder em meio às emoções ele a resgatará com seu amor, com sua sabedoria e sobretudo com sua liberdade.
Não levar a sério é apenas se lembrar a todo momento que as mulheres flutuam: elas não funcionam no âmbito racional verdade/mentira, mas no domínio emocional do “ora sim, ora não”. Quando um homem falha nesse teste, seu coração se fecha e sua parceira percebe que ele foi conduzido pelas flutuações sutis do momento. Ao surgir essa insegurança, ela deixa de confiar totalmente nele e acaba se fechando também.
O quarto item é ainda mais interessante, pois a sensibilidade masculina costuma ser confundida com um respeito excessivo que, em algumas relações, chega a impedir que o homem “sensível” agarre sua mulher e a possuía desesperadamente. Para não ter medo de uma mulher, o homem tem de ser muito corajoso, confiante, seguro – qualidades que o tornam um bom amante. Daí o pedido feminino: “não tenha medo de mim”.
E não só no sexo. Não ter medo é saber ouvi-la por inteiro, penetrar em suas idéias, em seus anseios, olhá-la nos olhos, não ignorar nem 1% de sua alma. Não ter medo é acariciá-la demoradamente, aceitá-la em seu brilho puro e não manter nenhuma postura fixa que possa obstruir a livre manifestação de suas energias femininas.
Uma boa metáfora para esse tipo de amante/parceiro/homem é a mão que faz uma massagem inesquecível: este homem é firme e suave, percorre cada poro e não deixa nada intocado, é sensível mas invasivo, forte e incrivelmente leve, seu peso preenche, sua presença libera.

vida a dois

Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente.
Em geral , na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta). No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um “viveram felizes para sempre”, que seria a “óbvia” conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?
Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal. O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la “Dormindo com o Inimigo”.
Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista “New Yorker” e em alguns livros (por exemplo, “Travels with Alice”, viajando com Alice, de 1989, e “Alice, Let’s Eat”, Alice, vamos para a mesa, de 1978). Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida.
À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas. Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001.
Trillin escreveu “Sobre Alice”, que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos. O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.
Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de “Sobre Alice”: “Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia”. A graça está no fato de que a “propensão” de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico.
Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel. Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.
Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.

vida a dois

Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente.
Em geral , na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta). No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um “viveram felizes para sempre”, que seria a “óbvia” conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?
Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal. O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la “Dormindo com o Inimigo”.
Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista “New Yorker” e em alguns livros (por exemplo, “Travels with Alice”, viajando com Alice, de 1989, e “Alice, Let’s Eat”, Alice, vamos para a mesa, de 1978). Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida.
À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas. Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001.
Trillin escreveu “Sobre Alice”, que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos. O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.
Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de “Sobre Alice”: “Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia”. A graça está no fato de que a “propensão” de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico.
Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel. Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.
Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.

poemas

Fechei os olhos e te senti,
Como um rio transbordante
De uma nascente fascinante
E que cessa no mar doce de mim.

Eu te quero! Quero teu cheiro
Que continua pairando no meu ar,
Invade minh'alma sorrateiro
E na minha memória sempre está.

Eu desejo o teu beijo provocante,
Que aquece o meu corpo insinuante
E uma cama tépida termina em nós.

Eu anseio você nos meus lençóis,
Nos laços quentes do meu abraço,
Onde somos um em forma de dois.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

feminismo...

É possível ser poeta sem ter aprendido a amar?
Colasanti: Eu não sei, porque eu sempre amei. (risos)
Mas será que um sujeito que não ama consegue poetizar, como o Cazuza escreveu naquela música?
Colasanti: Como é que é não amar? Você conhece alguém que nunca amou?
Alguém pode dizer, por exemplo, que ainda não sabe se ama, que ainda está descobrindo o que é o amor.
Colasanti: Então eu perguntaria: você não se ama? Você não ama a vida? Você não ama sua mãe? Você não ama uma criancinha? Você não tem um sentimento de amor? Você não acorda um dia e diz: pôxa, Deus é sensacional! Olha só que dia que Ele fez! Não tem isso?
Então é impossível não amar?
Colasanti: Eu acho muito, muito difícil! A não ser por extrema negação. Aí você tem que ter um sentimento de intensidade equivalente, que é o ódio, que é a negação das coisas. Mas hoje de manhã, pra vir pra cá, acordei às quatro da manhã, peguei um taxi às cinco e meia; e atravessamos Copacabana, depois o Aterro, o dia nascendo. Mas era de uma beleza tão estarrecedora que o motorista — que fazia esse percurso todo dia — me disse: é muito lindo o amanhecer nessa cidade, né? Isso não é um sentimento de amor? Acho que é! Limitar o amor ao amor erótico, ao amor pelo outro, é agredir muita gente que não consegue esse sentimento. É discriminar muita gente.
Tá na hora da provocação!
Colasanti: Provoca, provoca, aproveita que eu estou de bom humor! (risos)
Para Schopenhauer, o fundamento do amor e da atração sexual não passa de um instinto de reprodução. Para o filósofo, com essas sensações, o "gênio da espécie" nos ilude individualmente apenas para garantir a perpetuação da espécie. O que acha disso?
Colasanti: Em princípio está certo. Quanto mais na época dele. Na época em que ele disse isso, que o ato sexual — o ato sexual masculino, né?, porque não havia outro na época dele, parece (risos) — ou era com prostitutas e sem finalidade de reprodução, ou era com finalidade de reprodução com a mulher amada. Casava-se para isso — porque havia um desejo sexual — e sobretudo casava-se por organização social visando a reprodução.
Hoje em dia, em que as pessoas transam sem ter nem atração sexual — as pessoas estão transando não é sem amor, é sem atração sexual, porque faz parte de acabar a noite, é porque assim que se faz, é porque os outros estão transando, é porque estamos aí mesmo, é porque cheiramos um pó, não é preciso nem atração sexual — aí o impulso reprodutor da relação sexual tem que ser recolocado. Hoje em dia, a relação sexual é outra coisa. Temos que reestudar, redefinir onde ficou o instinto de reprodução, se ele está envolvido nessa transada meio desleixada de fim de noite, com preservativos, etc.
Pra você, a invenção da cultura abafou de vez muitos de nossos instintos?
Colasanti: É complicado, porque os instintos sociais, ou seja, os instintos criados e embutidos nas pessoas pelas exigências do grupo, são muito fortes — não só nos animais, nas comunidades de macacos, por exemplo, que têm comportamentos diferentes de acordo com as comunidades. Então não é um instinto, porque nasce com a pessoa e que não está no DNA, mas é transmitido socialmente.
Schopenhauer disse também…
Colasanti: Você gosta desse cara hein? Isso vai te comprometer no futuro, com as mocinhas (risos)
Não é isso (risos), eu só quero provocar sua argumentação. Shopenhauer disse que a estupidez não é prejudicial ao homem, e muitas vezes homens inteligentes causam até mesmo um efeito deplorável nas mulheres, pois a finalidade do matrimônio é a procriação, e não um "colóquio cheio de espírito". O que acha disso?
Colasanti: Primeiro nós não temos comprovante que os homens estúpidos sejam melhores reprodutores. São só estúpidos. Possivelmente tem gens horrorosos que vão transmitir às crianças e fazer filhinhos estúpidos, ou ter mais possibilidade de fazer filhinhos estúpidos. Se ele dissesse: as mulheres casam com o provedor, mesmo que seja mais feio, porque o instinto quer um provedor para alimentar os filhotes no ninho… faz sentido. Agora, essa frase — solta assim — é um equívoco fatal. Também sei que existam mulheres que preferem homens estúpidos, como existem homens que preferem mulheres torturadoras. Existe tudo! Mas não sei de uma maioria de mulheres que prefira homens estúpidos. Não vejo que a estupidez tenha sucesso especial entre as mocinhas. Você me diga, você que é homem, se elas te requisitam a estupidez, ou não! (risos)
A última de Schopenhauer. Ele escreveu que, assim como o leão tem os dentes e as garras, e o javali as presas, a mulher só tem a dissimulação como arma para se proteger e defender, que equivaleria à força da razão e dos músculos do homem. O que diz disso?
Colasanti: Que pobreza! Acho pobre como definição. Primeiro, a dissimulação não é uma invenção das mulheres. É uma invenção dos seres humanos. Os seres humanos frequentemente dizem uma coisa e pensam outra, fingem ser o que não são, simulam suas intenções. Basta você olhar o mercado — que é hoje em dia a mesma coisa que "Deus". O mercado é feito de dissimulação o tempo inteiro, e se você olhar o mercado, ele é predominantemente masculino. Então, que conversa é essa? As mulheres têm várias armas, entre as quais a dissimulação. Os homens têm várias armas, entre as quais a dissimulação.
Você escreveu que o amor é diferente para homens e mulheres. Quais são as diferenças básicas que percebe?
Colasanti: Sobretudo na época em que eu escrevi o livro ao qual você está se referindo, um livro chamado E por falar em amor, que deve ter mais de vinte anos. O que eu queria dizer é que, de fato, era ensinado diferente para homens e mulheres. Para mulheres era ensinado com fins matrimoniais, era ensinado que há bons amores e maus amores, sendo que os bons amores duram para sempre, no sentido de perenidade; os bons amores incluem fidelidade, sinceridade, e os maus amores são aqueles que deixam o outro muito infeliz — sobretudo ela — e de homens que não lhe dão o devido valor, a devida atenção, que não são fiéis, que a fazem sofrer.
Para a mulher era ensinado: busque o amor, você nasceu para o amor, o amor é que é o coroamento do seu "ser mulher" no mundo. Para os homens era o seguinte: fuja do amor, meu filho, porque se você cair no amor você está preso, amarrado, fisgado, pescado, caçado, e casará! E é no casamento que acaba o seu auge como homem, que aí você vai trocar todas as mulheres do mundo por uma — ou pelo menos vai ter que fingir que está trocando. Para os homens o amor era ensinado como uma fraqueza; para as mulheres era ensinado como um fortalecimento. Para os homens vale a pluralidade, para as mulheres não! A fidelidade é um dote para as mulheres; para os homens, um equívoco — é claro que todo homem nasceu para o plural. Enfim, era ensinado de maneira diametralmente oposta, para depois juntar e não dar certo, é claro. É difícil dar certo assim.
E hoje em dia?
Colasanti: Acredito que hoje nós tenhamos variantes nesse quadro. As moças já não acreditam em fidelidade para ambos, e sobretudo não acreditam em diferenças para ambos. Se há infidelidade para ele, para ela também. As estatísticas dizem que o nível de infidelidade está praticamente equiparado entre homens e mulheres — os homens declaram mais do que as mulheres, mas na prática estamos equiparados.
As mulheres também não acreditam muito em amor pra sempre — gostariam, mas não acreditam muito. Algumas até se assustam com essa idéia, acham que é apavorante casar com um e ficar com esse um para sempre e não ter outro. Outro dia, uma jovem me dizia — uma jovem de trinta anos, não era nenhuma menina — me dizia que a idéia era apavorante. O que muito me surpreendeu, pois ela é bem casada.
Nós tivemos aí uma mudança grande. Uma mudança até mesmo pelo seguinte: porque antes, as mulheres faziam tudo para manter o casamento. Tinha uma seção na [revista] Cláudia que era: Como salvei meu casamento — parecia coisa de Corpo de Bombeiros. (risos) Hoje em dia, o que acontece é o contrário. As separações e os divórcios são permanentemente pedidas por mulheres. A tendência dos homens é ficar no casamento, mesmo quando ele não está muito bom. A tendência das mulheres, se o casamento não está bom, é separar.
No mercado editorial existem dezenas de revistas de conselhos para as adolescentes, mas não há nenhuma para o público masculino da mesma faixa etária. Para você, por que isso acontece?
Colasanti: É a evolução de uma tendência já antiga na imprensa. As revistas femininas sempre lidaram com comportamento, e ao lidar com isso elas estão, não digo dando conselhos, mas mostrando e analisando uma maneira de ver e tentando ver isso de vários ângulos sociológicos, sem fazer teorias acadêmicas.
As revistas masculinas sempre foram revistas eróticas, para estímulo erótico, companheiras de masturbação, pouca análise de comportamento masculino. Algumas, quando eram sofisticadas, como foi a Squire, por exemplo, durante muito anos, é porque tinham artigos de análises — mas não comportamentais, mas de política, literatura, economia. De alguma maneira, a sociedade considerava que os homens não precisavam de conselho. Porque os homens são fortes, os homens são todos acertados, tudo homem é um acerto só! Porque se ele é o rei da criação, só pode estar acertado. Agora, as mulheres, como eram vistas como inferiores, quem sabe a gente dá a mão para sair do buraco? Quem sabe a gente aconselha e elas melhoram de vida? Então sempre houve uma tendência maior, na imprensa feminina, deste diálogo. E também, porque as mulheres são mais abertas a conversas sobre sentimentos. Hoje, a gente sabe que isso é cerebral; mas não se sabia antigamente. Tocava-se de ouvido. Hoje a gente sabe que isso acontece porque o cérebro delas está preparado para isso, organizado para isso. E o cérebro dos homens não está organizado para conversas sobre o abstrato. O homem conversa sobre o concreto.
Então o homem tem muita dificuldade nessa área, e a mulher não. Ora, justamente porque ele tem dificuldade — hoje sabemos — acho que seria muito proveitosa uma publicação, ou uma linha de publicações que ajudassem os homens a dialogar com o indialogável, com aquilo que são seus sentimentos, seu comportamento, o seu "ser homem" num mundo em que a questão de ser homem é posta em questionamento, o modelo antigo prescreveu.
Os homens não se protegeram da maneira mais correta. Quando o feminismo aconteceu e evoluiu, os homens reforçaram as defesas, as barreiras, o machismo. Fecharam as portas para a sua passagem, em vez de se fortalecerem e procurarem uma nova adequação: qual é o meu papel frente a esta mulher que é outra? E não negar essa mulher, porque ela existe. Então, quanto mais os homens tentarem organizar o seu novo modelo de masculinidade, melhor para todos.
As adolescentes costumam ser mais espertas e inteligentes que os rapazes da mesma idade. Certa vez eu arrisquei uma hipótese de que o fato delas, em geral, terem o hábito de registrar as experiências em diário, seria um elemento importante para o auto-conhecimento. O que acha disso?
Colasanti: Não. Eu creio que isso se deve mais à evolução hormonal. Uma menina, no Brasil, até de nove anos, já está entrando em vida reprodutiva. Eu tenho muito respeito pela natureza. Ela não ia botar a gente fazendo filho sem poder tomar conta desses filhos, sem ter uma maturidade maior. É claro que uma menina de nove anos não está pronta para ser mãe. Porém, as meninas evoluem mais cedo, estão prontas mais cedo. Não é nem questão de mais ou menos inteligentes — porque quando você disse inteligente, você não quis dizer inteligente, você quis dizer mais madura, mais viva, mais pronta, mais atenta para a vida. Porque elas têm que estar prontas, pois num piscar de olhos elas engravidam. Com 13, 14 anos elas engravidam. Tanto que, antigamente, as meninas casavam nessa idade. Na história do Brasil do século XIX, as meninas casavam com 14, 15, 16 anos. Mesmo as avós da minha geração casavam muito cedo.
Parecido com hoje.
Colasanti: Hoje elas não casam. Hoje elas transam. E não vão ter que cuidar de uma casa, não vão ter filhos. Hoje, pelo contrário, elas transam sem precisar de qualquer maturidade, pois o ato sexual não requer mais nenhuma maturidade, nenhuma escolha, não requer nenhuma reflexão. Acontece! E não tem consequências. Antigamente, um casamento aos 16 anos, aos 15 anos, como elas casavam — isso a geração de Fernando Sabino, as meninas casavam com essa idade — requeria-se uma reflexão, era uma responsabilidade muito grande, elas tinham filho logo, tinham casa pra cuidar, marido — e o marido, em geral, era mais velho. Então era uma responsabilidade muito grande. Elas tinham que estar prontas nessa idade.
Qual é o papel do movimento feminista hoje?
Colasanti: Primeiro a gente tem que dizer em que países. Se é no Brasil, a expressão "movimento feminista" prescreveu, não se usa mais. Agora usam-se as expressões "estudos de gênero", "questões de gênero", e isso é muito sintomático. Porque, quando se dizia movimento feminista, tratava-se de um movimento que lutava pelos direitos das mulheres, defendia os direitos das mulheres. Era um movimento de mulheres para mulheres. Quando se passa a falar em questões de gênero, já deslizamos para um outro universo semântico, e não à toa. Ou seja, estamos dizendo que vamos nos ocupar de questões de homens e de mulheres, questões de cidadania ligadas ao feminino e ao masculino. Com essa abertura, proposta, aceita e estabelecida sobretudo no encontro de Beijing (China), o que aconteceu foi que as questões do feminino que estavam em aberto, que não estavam resolvidas num país onde a miséria é um problema de primeiríssima linha, e onde, portanto, as mulheres estão num estado terrível — porque sempre que há pobres, os mais pobres são as mulheres, os mais sacrificados são as mulheres — num país nessa situação, o enfraquecimento daquilo que era trabalho em cima do feminino, cravado no feminino, insistindo no feminino, foi muito ruim. Os movimentos praticamente se desfizeram, as militantes montaram as suas ongs, nós temos as coisas governamentais, os centros de estudo, mas os grupos militantes que existiam, já não há mais, ou os que há são muito raros. Não há uma visibilidade, um avanço desse trabalho.
Essa discussão de gêneros será capaz de unir homens e mulheres em um objetivo comum?
Colasanti: A esperança era essa. E o intuito era justo para os países do primeiro mundo que já tinham alcançado grande parte do que queriam — embora os EUA, até hoje, não tenham licença maternidade, por exemplo — o que acho gravíssimo. Nos EUA não tem creche! É um primeiro mundo para eles, para elas, não sei. Mas enfim, uma coisa que foi pensada para o primeiro mundo, foi vendida e comprada por países pobres que tinham outras necessidades. Acho ótimo que falemos de gênero, que tentemos fundir essas questões. Mas tem alguém aí falando, por exemplo, em planejamento familiar? Em saúde da mulher, mortalidade materna? Lula foi lá no Nordeste, eram todas casas de mulheres sem maridos, com cinco, seis, sete, oito filhos. Quem fala em planejamento familiar?, em ajudar as mulheres a não fazerem oito filhos quando elas não têm o que lhes dar de comer? Ou então creches para colocar essas crianças? São essas as questões.

descubra o ke vc faz,,,,

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Descubra se você faz amor, transa ou fode
Thursday, 30. November 2006, 23:26:12
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Texto muito engraçado que encontrei na minha caixa de e-mail. É meio comprido, mas vale a pena ler...A sexologia teria o potencial de ser algo deveras interessante, capaz de proporcionar debates inflamados dos mais altos ciclos acadêmicos até a mais popular mesa de boteco. Mas infelizmente quando pensamos em grandes sexólogos brasileiros, os nomes que nos vêm à cabeça são Jairo Bauer e Marta Suplicy. Assim, não dá nem para começar uma teoria com um mínimo de credibilidade.Felizmente Deus, através de sua maior criação, a Internet, vem possibilitando que pessoas como eu, dotadas de uma inteligência acima da média, acumulem uma bagagem sexual respeitável e, como se isso não bastasse, esta mesma Internet nos deu o poder de transmitir esta experiência para dezenas de milhares de leitores tão curiosos quanto desocupados.A base de qualquer ciência é a terminologia. Antes de abrir o terreno para elaborar uma teoria mais profunda é preciso deixar claro o que as coisas significam. Com sexo não é diferente, pois está claro que a maioria das pessoas não tem a menor idéia do que andam praticando por aí. Pergunte-se, caro leitor tão curioso quanto desocupado: Você sabe se anda “fazendo amor”, “transando” ou “fodendo”?É óbvio que existe uma grande diferença entre cada uma dessas modalidades, mas é preciso definir claramente os limites. Quando uma termina e a outra começa?“Transar” é o básico. É a modalidade que ocorre na grande maioria das relações sexuais. “Foder” e “fazer amor” são os desvios. Cada um com maior ou menor intensidade de devassidão, respectivamente. Se imaginarmos a prática sexual como uma curva estatística (me formar em economia serviu para algo), ela certamente assume a forma de uma curva normal com desvio padrão igual a 1, como exemplificado abaixo. Até aí, nada de complicado. Mas a situação muda de figura quando pensamos nos fatores que determinam o tipo de modalidade sexual que está sendo praticado. Isto não depende apenas de “como” o sexo está sendo feito, mas também de outras condições, como “onde”, “quando” e “com quem”.É impossível “fazer amor” no banco traseiro de um Fiat Pálio. Neste local pode-se apenas “transar” ou “foder”. Assim como ninguém “fode” com a esposa depois de ter tido filhos. Com ela só se “faz amor” ou “transa”.Enfim, podemos enumerar uma longa lista de situações, para dar a dimensão de que o espectro de definições pode ser tão amplo quanto tênue.Não dá para “fazer amor” em um ambiente com uma temperatura superior a 30 graus Celsius. Aliás, quanto maior a temperatura, mais difícil “fazer amor”, pois a presença de qualquer gota de suor durante o ato o desqualifica como “fazer amor”. Ninguém “faz amor” após beber cerveja, o ideal é vinho ou qualquer outra bebida mais requintada. O uso de camisinha ou qualquer brinquedo sexual também elimina completamente a possibilidade de ter “feito amor”. Não se “faz amor” sem um som romântico ao fundo, que não necessariamente deve ser uma música do Kenny G. Este som também pode ser a lenha crepitando com o fogo de uma lareira ou o barulho da chuva caindo lá fora. Aliás, existir um “lá fora” é quase que essencial para “fazer amor”, pois a única possibilidade de se “fazer amor” ao ar livre é no campo, sobre um gramado levemente úmido de orvalho, protegido pela sobra de alguma árvore de madeira de lei e após um piquenique onde obrigatoriamente foi servido vinho, sem esquecer de um som romântico ao fundo, como o canto de cigarras ou de passarinhos. E, finalmente, o mais óbvio: é impossível “fazer amor” com alguém que você não ama. E quando digo “ama”, me refiro a amar de verdade, e não aquele “eu te amo” fajuto que muita gente solta depois de gozar, na esperança de rolar um cu no segundo tempo. A propósito, qualquer possibilidade de “rolar um cu” no segundo tempo também implode a chance de você estar “fazendo amor”. “Fazer amor” e “cu” não combinam, salvo em raríssimas relações homossexuais masculinas. Mas também, o grau de fatores para qualificar uma relação homossexual masculina como “fazer amor” é tão exigente que é mais fácil esperar a próxima passagem do cometa Halley.Como visto, “fazer amor” é algo extremamente difícil, pois a violação de qualquer um destes elementos faz com que o ato seja imediatamente rotulado como “transar”. Tão difícil que o ato de “fazer amor” raramente é documentando, pois a presença de qualquer câmera fotográfica ou filmadora descaracterizam o ato de “fazer amor”. “Fazer amor” gravado, só encenado em filmes românticos e olhe lá. Vejamos agora o outro limite, ou quando você deixa de “transar” e passa a “foder”. O jeito mais cartesiano de exemplificar isso é com o número de dedos evolvidos nas preliminares. Se você enfia até dois, está “transando”. Conforme mais dedos são adicionados, três, quatro, cinco ou até o punho, a possibilidade de estar se iniciando uma foda aumenta mais do que proporcionalmente. O mesmo raciocínio se aplica ao número de pessoas envolvidas. Dois normalmente transam. Conforme mais pessoas entram na equação, a probabilidade de estar fodendo também aumenta mais do que proporcionalmente. Cu no final, transa. Cu já na preliminar, foda. Tapinhas na bunda, transa. Tapa na cara, foda. Gozar em uma área inferior ao meridiano que atravessa os mamilos, transa. Gozar acima disso, foda. Se você mal sabe dizer o nome da pessoa com a qual está praticando o ato sexual, pode estar transando ou fodendo. Mas se você mal sabe dizer o sexo, certamente está fodendo.As situações são incontáveis, mas estes exemplos já são constituem uma excelente base para tentar qualificar a grande maioria dos atos sexuais. Quanto mais variações você imaginar, mais facilmente você passará a enxergar as coisas. Faça este exercício com a sua parceira ou ainda na conversa descontraída com os amigos. Com a terminologia na ponta da língua, mas aptos ficaremos para elaborar teorias de sexologia que realmente interessam.

recomeçando o amor

Amor e Sexo: Até que ponto um sustenta o outro?!:: Rosana Braga ::
Tenho notado que muitos casais reclamam da qualidade de seus relacionamentos sexuais. No entanto, creio que antes de falarmos de atração física, disposição para o ato sexual ou sensualidade, devamos observar qual é o símbolo que a relação sexual tem num relacionamento que, a princípio, está baseado no amor!Obviamente, a convivência entre um casal pede contato físico, intimidade e, conseqüentemente, sexo. Mas a questão é: até que ponto um sobrevive sem o outro? É possível amar sem transar? É possível transar sem amar? Por quanto tempo? Quanto vale uma relação onde o sexo insiste em “existir” sem o amor, ou vice-versa?Sinceramente, acredito que a melhor tradução para o ato sexual entre duas pessoas que vivem juntas e que compartilham a mesma cama, a mesma mesa, enfim, o mesmo teto, seja a tradicional expressão “fazer amor”. Então, se o que os casais desejam é, sobretudo, fazer amor, a resposta é óbvia! Ou seja, devemos fazer amor em todos os sentidos, em todas as suas possibilidades. Não dá para pensar num amor que teima em aparecer somente no quarto, somente sem roupa, quando o que se espera são beijos, carícias, entrega, confiança, desejo, atração, cheiro, gosto, toque, sussurros e, de preferência, prazer! Não dá para fazer amor com uma pessoa durante 30 minutos ou uma hora se, durante o resto das 23 horas do dia, o que se consegue ter com ela são discussões, desconfianças, críticas, grosserias ou, o que ao meu ver é ainda pior, um silêncio cortante e esmagador, uma ausência absoluta de afeto. Enfim, não há tesão que resista à indiferença, à falta de companheirismo, compreensão e paciência, muita paciência!!!Então, o que fazer? Desistir? Começar de novo? Sair com outra pessoa? Ou investir de verdade nesta relação e se dar uma nova chance?Estou certa de que cada um tem a melhor resposta para si mesmo, mas a minha sugestão é que homens e mulheres comprometidos decidam, de fato, se comprometerem. Primeiro consigo mesmos, com seus conceitos e com o que esperam de suas relações. E depois, que possam se comprometer com seus parceiros, propondo uma nova maneira de amar.Isto é, que os casais compreendam que o ato sexual é conseqüência de uma série de outros atos; que a qualidade do sexo está diretamente relacionada com a qualidade que se tem em todos os outros setores do relacionamento, tais como respeito, admiração, confiança, entre outros já citados. Portanto, para conquistar (ou reconquistar) um relacionamento sexual satisfatório, prazeroso e intenso, é necessário (é absolutamente imprescindível) que os envolvidos invistam, primeiro, nas demais áreas da relação.Elogios, convites para passeios a dois, comentários que elevam a auto-estima e a autoconfiança da pessoa amada, colaboração mútua, companheirismo, troca de idéias, diálogo (muito diálogo) e transparência são alguns dos mais importantes ingredientes para que se possa obter um relacionamento saudável. Tente ser o mais verdadeiro possível, expondo os seus medos, as suas inseguranças, os seus sentimentos mais profundos. Crie uma atmosfera amigável e dê o melhor de si. Comporte-se como um autêntico Don Juan ou como uma adorável sedutora e garanta o sucesso do seu amor.E quando você titubear, com medo de sofrer, de quebrar a cara ou de ser passado como tonto, lembre-se que a vida é um risco. Saiba que o amor é um grande risco. Mas que se você nunca correr este risco, poderá ter apenas uma certeza: a de nunca experimentar a plenitude do amor.Por outro lado, se você decidir arriscar, decidir investir no amor trazendo à tona tudo o que há de mais singelo e verdadeiro dentro de você, correrá um outro sério e provável risco: o de descobrir que pode ser amado e pode amar muito mais do que imaginou um dia e que, por conta disso, pode ser muito, muito mais feliz!!! A escolha é sempre sua.

ámor é................

AMOR E SEXO (Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)
Amor é um livro - Sexo é esporteSexo é escolha - Amor é sorteAmor é pensamento, teoremaAmor é novela - Sexo é cinemaSexo é imaginação, fantasiaAmor é prosa - Sexo é poesiaO amor nos torna patéticosSexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão - Sexo é pagãoAmor é latifúndio - Sexo é invasãoAmor é divino - Sexo é animalAmor é bossa nova - Sexo é carnaval
Amor é para sempre - Sexo tambémSexo é do bom - Amor é do bemAmor sem sexo é amizadeSexo sem amor é vontadeAmor é um - Sexo é dois Sexo antes - Amor depoisSexo vem dos outros e vai emboraAmor vem de nós e demora

amor e sexo e sexo e amor

TRATADO DE AMOR E SEXO

Amor e Sexo são sentimentos interligados, que podem ou não se completar. São constantemente confundidos, tanto que ao ato sexual, chamam: Fazer amor. Mas não é, embora por vezes seja.
Parece coisa de louco? Não deixa de ser mesmo uma coisa de louco...
Vamos resolver por partes (como faria Jack, o Estripador) .
Ambos os sentimentos existem de diversas maneiras, e chegam mesmo a ser chamados por diversos nomes. Contudo, unidos, podem ter três definições.
Vamos a elas.
Sexo sem Amor.
Perfeitamente lógico e possível. O que leva duas pessoas a praticarem o ato sexual? Basicamente são movidas pelo desejo. E o desejo nada tem a ver com o amor. O desejo é tão somente a vontade de manter contato íntimo com determinada pessoa.
Por vezes o desejo surge em um simples olhar, em um contato físico, e até mesmo em um contato virtual. Pode-se desejar alguém por algum gesto, um olhar, ou mesmo por algo escrito, que mexe com a libido.
Muitas vezes, duas pessoas se tocam e passa como que uma corrente elétrica entre ambas, e essa corrente só é desligada com o ato sexual. Essas duas pessoas se amam? O mais certo é não. Surgiu o desejo forte, intenso, mas apenas desejo. Uma vez satisfeito pronto... Muitas vezes nem se olham mais.
São os famosos romances de um verão... Paixões muito intensas geralmente são curtas.
A paixão, o desejo quase nunca sobrevive à convivência.
O problema, por vezes, é quando essas paixões ficam latentes e não são satisfeitas.
Ficará para sempre a sensação de que "poderia ter sido tão bom..."
Amor com Sexo.
Sem dúvida alguma, é algo que todos querem conseguir. É a explosão completa. O encontro de duas pessoas que, além de se desejarem com volúpia, também se amam. É o encontro ideal. O melhor dos sexos, e o melhor dos amores. Pode apresentar problemas, quando ocorre o fato de um dos parceiros ser mais fogoso do que o outro. Mas é problema superável, pois existindo o amor, facilita o entendimento. Nem todos tem essa sorte, de achar o parceiro (a) certo (a).
Esse encontro é uma questão de fatores imponderáveis. Mas que existe, existe.
Amor sem Sexo.
Mais comum do que se pensa. Não estou falando de Amizade pura e simples, ou de amor platônico. Estou falando do Amor de verdade.
Duas pessoas se conhecem. No início do relacionamento, claro amam-se com muito carinho. Geralmente não existe nenhuma paixão avassaladora, mas um amor tranquilo, seguro. O sexo é praticado com naturalidade, com a constância que o desejo de ambos quiser. Sem o desespero, a volúpia dos apaixonados, mas com o prazer total que só quem ama de verdade sabe proporcionar e aproveitar.
Esse amor resiste ao tempo. Claro que o sexo vai arrefecendo com o passar dos anos, mas isso não constitui problema para os que se amam de verdade. Se um dos parceiros ainda tem "pique", mas nota que o outro já não sente o mesmo entusiasmo, respeita o fato, pois sabe que o sentimento que os une não é medido pela frequencia sexual, mas sim pelo prazer que a presença transmite. Ficar de mãos dadas, e olhos nos olhos, tem o mesmo valor do ato sexual.
Infelizmente nem todos entendem isso, e vemos muitos casamentos de muitos anos terminarem porque um dos parceiros, ou ambos, entenderam que o arrefecimento do fogo sexual mostrou o fim do amor. Pelo contrário, é o começo de uma relação gostosa e que deve ser bem vivenciada. Afinal, a melhor companhia que se pode ter no fim do caminho, é aquela que percorreu a maior parte desse caminho ao nosso lado.
Seria bom se todos entendessem isso.
Desejo a todos UM LINDO DIA.

As mulheres solteiras se queixam que os homens bons estão casados. As mulheres casadas se queixam de seus maridos. Isto prova que os homens bons não existem...